A Força Aérea dos EUA planeja 'cultivar' pistas de pouso com bactérias


U.S. Air Force photo by Staff Sgt. Corey Hook

Aeronaves da Força Aérea dos Estados Unidos poderiam um dia decolar e aterrissar em campos de pouso no meio do nada de pistas cultivadas com bactérias.

Como o monstro mitológico que transformou suas vítimas em pedra, o Projeto Medusa está procurando transformar materiais de fácil acesso em uma superfície plana e resistente para aeronaves. O resultado? Uma pista capaz de até mesmo suportar grandes aeronaves de transporte.

À medida que as Forças Armadas encaminham-se em direção a uma guerra com grandes potências como Rússia e China, há uma percepção cada vez maior de que a Força Aérea deverá operar em grandes bases aéreas permanentes que não estejam disponíveis. A Blue Horizons, um think tank dentro da Força Aérea projetada para criar e testar futuros conceitos estratégicos e capacidades, conduziu um estudo para determinar se a biomanufatura - o uso de bactérias e outros organismos microscópicos para criar objetos - poderia ser útil na construção da base aérea.

A Blue Horizons está trabalhando com a BioMASON, uma empresa de biomanufatura da Carolina do Norte que desenvolveu uma técnica para transformar areia e solo em superfícies duras e resistentes. Engenheiros despejam areia em moldes de tijolos e adicionam bactérias à mistura. Água rica em nutrientes é adicionada para alimentar as bactérias e permitir que ela cresça. A bactéria cria cristais de carbonato de cálcio que unem os grãos de areia, resultando em um tijolo durável que pode ser usado na construção.

 A bioMASON employee applies a feeding to the bacteria to harden the surface of the Project Medusa 2,500 square foot prototype in Durham, North Carolina. James O’Rourke/DVIDS
Um funcionário da bioMASON aplica nutrientes para as bactérias endurecerem a superfície de 760m²  em um protótipo do Projeto Medusa em Durham, North Carolina
O Projeto Medusa passou por vários testes, incluindo um protótipo estrutural de 760m². "Embora nosso protótipo seja um pequeno passo para permitir que pistas completas sejam construídas com algo diferente do concreto, ele demonstra que essa tecnologia é absolutamente viável fora do laboratório", disse o major MacKenzie Birchenough, engenheiro de desenvolvimento e membro da Blue Horizons.

A descrição de Birchenough do processo é geralmente idêntica ao processo de cultivo de tijolos - aplique bactérias, alimente-as e deixe os organismos microscópicos fazerem a coisas. Fica a grande questão de quanto tempo leva para cultivar um único tijolo, quanto mais um campo de pouso.

Tradicionalmente, a Força Aérea dos EUA conta com engenheiros para construir pistas. Hoje, essa tarefa é gerenciada pelos esquadrões de construção pesada do esquadrão de engenheiros Rapid Engineer Deployable Heavy Operational Repair Squadron Engineer(RED HORSE). Mas o trabalho de engenharia requer maquinário pesado, incluindo misturadores de cimento, materiais de construção e pessoal de construção. Todas essas coisas precisam ser transportadas de caminhão ou avião para o canteiro de obras, o que é um fardo logístico adicional durante a batalha.

A biomanufatura poderia reduzir significativamente a quantidade de pessoas e equipamentos necessários para construir instalações da base aérea. O protótipo final até mesmo usou terra local em vez da mistura de concreto para criar uma superfície endurecida. Em um conflito futuro, os adversários podem ser atacados pelas forças dos EUA que operam a partir de aeródromos anteriormente desconhecidos, tudo graças a minúsculas criaturas invisíveis ao olho humano.

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