B-52 interceptado por caças russos quando voava diretamente para a Crimeia

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A Rússia afirma que enviou seus Su-27 Flanker para interceptar vários B-52 Stratofortress da Força Aérea dos EUA que sobrevoam as regiões do Mar Báltico e do Mar Negro no dia 17. Em um dos encontros, um dos bombardeiros estava voando diretamente para a península da Crimeia, ocupada pelo Kremlin, no que poderia ter sido uma simulação de ataque. Outro dos B-52s em seguida fez um pouso de emergência na RAF Mildenhall, no Reino Unido, após uma emergência a bordo não relacionada.

O Ministério da Defesa da Rússia e o Centro de Gerenciamento de Defesa Nacional do país divulgaram declarações sobre as  interceptações em 17 de junho de 2019. No mesmo dia, a Força Aérea dos EUA na Europa divulgou seu próprio comunicado confirmando que os B-52 da 5ª Divisão de Bombardeiros da Base de Minot na Dakota do Norte tinha voado em missões para apoiar três exercícios diferentes, mas não os nomeou. O exercício anual das Operações Bálticas lideradas pela OTAN (BALTOPS) está atualmente em curso no Mar Báltico e ao seu entorno, enquanto o Exército dos EUA e as Forças Terrestres da Romênia acolhem a mais recente versão do Sabre Guardian na região do Mar Negro, ambos já incluíram o B-52 no passado. O software de rastreamento de voos on-line mostrou que pelo menos três bombardeiros foram enviados dos Estados Unidos e dois retornaram à base depois de conduzir suas missões.

"Em 17 de junho de 2019, tripulações dos caças russos Su-27 interceptaram os bombardeiros estratégicos B-52H da Força Aérea dos Estados Unidos, que se aproximavam da fronteira com a Federação Russa em direção ao Mar Negro e ao Mar Báltico", relatou o Centro de Controle de Defesa de acordo com a mídia estatal Sputnik.

"As tripulações de caças russos Su-27 interceptaram os bombardeiros estratégicos B-52H da Força Aérea dos Estados Unidos, que se aproximavam da fronteira russa pelo Mar Negro e Mar Báltico", disse o Ministério da Defesa russo em seu próprio comunicado, de acordo com a RT.



Nenhum comunicado do governo russo disse exatamente onde as interceptações ocorreram ou quantos aviões estavam envolvidos. Os B-52 permaneceram no espaço aéreo internacional o tempo todo, de acordo com os dois comunicados, embora o Kremlin afirmasse que eles estavam voando em uma área de provocação em direção ao território da Rússia. O B-52H é capaz de executar ataques convencionais e nucleares usando mísseis de cruzeiro. Tais operações podem ter sido parecidas aos perfis de voo realizados.

Não há indicação em nenhum dos casos de que aeronaves americanas e russas tenham se aproximado perigosamente juntas, como tem sido o caso durante outras interceptações nos últimos anos. O Krasnaya Zvezda, o jornal oficial do Ministério da Defesa da Rússia, afirmou que aeronaves russas se esforçaram para interceptar 10 aeronaves estrangeiras próximas ao espaço aéreo do país 10 vezes nos últimos dias, mas novamente, com detalhes muito limitados sobre esses encontros. Na semana passada, houve relatos anteriores sobre a interceptação de aeronaves de inteligência, vigilância e reconhecimento dos EUA e da Suécia sobre o Mar Báltico.

Mas definitivamente não há como negar que os B-52 estavam em ambas as regiões do Mar Negro e do Mar Báltico em 17 de junho de 2019. Os observadores de aviões usaram o software de rastreamento de voo online para monitorar um trio de B-52 que voaram na Europa durante todo o dia usando os indicativos Hodor 51, 52 e 53 - possivelmente uma referência ao personagem do imensamente popular do programa de televisão Guerra dos Tronos que terminou recentemente.



Dois desses bombardeiros, Hodor 51 e 52, voaram para a Romênia, provavelmente para participar do Sabre Guardian, que envolve treinamento de forças aéreas, terrestres e marítimas para um grande conflito naquela região. Hodor 52, no entanto, pareceu se afastar em um ponto e voar sobre o Mar Negro em direção à Península da Crimeia. A Rússia ocupa esta região desde 2014, quando a apreendeu da Ucrânia e a anexou ilegalmente.

O bombardeiro, neste caso, parecia estar indo direto para a costa da Crimeia e estava à 40 milhas da Península, antes de retornar. A Zona de Guerra não se recorda de um B-52, ou qualquer outro avião de combate dos EUA, voando um perfil de voo similar no Mar Negro nos últimos cinco anos, mas mesmo que não seja necessariamente inédito, também não é comum.

Não está claro qual era o objetivo desta viagem, embora o governo dos EUA tenha sido particularmente inflexível nos últimos anos sobre o reforço do seu direito de operar em águas internacionais no Mar Negro, perto das costas russa e ucraniana, apesar das objeções do Kremlin.



Este voo também segue um relatório do Defense One em que a Rússia aumentou ainda mais a sua postura defensiva na Península em um ano e meio. As forças russas agora operam sistemas de mísseis superfície-ar S-400 em não menos que cinco locais diferentes e S-300 mais antigos em quatro outros. Há aviões de combate instalados em quatro bases na Península, e o Kremlin parece estar reativando ou, de outra forma, melhorando uma série de instalações militares da era soviética naquele local.



Separadamente, o Ministério da Defesa do Reino Unido divulgou fotografias de um B-52 voando no Báltico, que parece ter sido o Hodor 53. O piloto ou pilotos a bordo do Eurofighter Typhoon da Real Força Aérea(RAF) da 121 Expeditionary Air Wing, atualmente enviada para a Estônia como parte da Missão de Policiamento Aéreo  Báltico da OTAN, tirou as fotos do bombardeiro durante o "treinamento rotineiro de interoperabilidade", de acordo com um Tweet oficial.



Além do treinamento em interoperabilidade, o B-52 provavelmente estava aparecendo no BALTOPS, um grande exercício anual que a OTAN lidera no Mar Báltico e áreas adjacentes. Este é outro exercício marítimo, aéreo e terrestre que prepara forças da Aliança e seus parceiros para um potencial conflito importante na estratégica hidrovia. Além dos Estados Unidos, participam ativos da Bélgica, Dinamarca, Estônia, França, Finlândia, Alemanha, Grécia, Letônia, Lituânia, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Espanha e Suécia.

As nações escandinavas da Finlândia e da Suécia não são membros da Otan, mas estão se aproximando do bloco militar em resposta às crescentes ameaças russas. Os exercícios no Mar Báltico, como o BALTOPS, atraem regularmente a atenção e a ira do Kremlin, especialmente se os aviões e navios se aproximarem do seu enclave de Kaliningrado, que fica entre a Polônia e a Lituânia e está geograficamente separado do resto da Rússia. O Kremlin já anunciou publicamente que está monitorando o exercício do BALTOPS, como de costume.

Em março de 2019, a Rússia interceptou os B-52s da Força Aérea - como visto no vídeo abaixo - que igualmente acusados ​​de agir provocadoramente no Mar Báltico, mas também notou que eles não chegaram a 90 milhas de Kaliningrado. Vale a pena notar que esta região é tão limitada que, na sua maior extensão, a distância entre Kaliningrado e a costa sueca do outro lado é inferior a 320 km.



Como tal, as interceptações na região são comuns em todos os lugares. Em 17 de junho de 2019, a RAF anunciou que havia enviado seus jatos da Polícia Aérea Báltica duas vezes nos três dias anteriores. Estas foram as sétima e oitava interceptações que as aeronaves realizaram desde que chegaram à Estônia, em maio de 2019.

Após os três bombardeiros americanos concluírem suas respectivas missões de treinamento e começarem a longa jornada de volta a Dakota do Norte, um dos B-52s sofreu uma emergência de voo ainda não especificada sobre o Reino Unido, obrigando-o a pousar na RAF Mildenhall. Relatórios não confirmados sugerem que um ou mais motores podem ter falhado, mas não houve relatos de ferimentos no incidente, felizmente.




Apesar de tudo, as próprias interceptações parecem ser relativamente rotineiras, baseados nas declarações de todas as partes envolvidas, especialmente em comparação com incidentes anteriores que eram perigosos ou, de outra forma, especialmente descarados. No entanto, assim como a instalação de seis B-52s na Europa em março de 2019, esses últimos encontros parecem refletir uma escalada nas tensões entre os Estados Unidos e seus aliados da OTAN em um grau menor, e a Rússia.

A trajetória de voo do Hodor 52 em direção à Crimeia certamente reflete um tipo muito diferente de atividade militar americana na região do Mar Negro do que estamos acostumados a ver. Embora a atividade de bombardeiros da Força Aérea na Europa tenha definitivamente aumentado nos últimos anos, em geral, são as aeronaves de inteligência, vigilância e reconhecimento que normalmente voam perto das fronteiras da Rússia.

Enquanto essas tendências continuarem, podemos esperar um aumento similar em interceptações e outras atividades. Com sorte, eles serão tão tranquilos quanto os últimos encontros no Mar Negro e no Mar Báltico.

17 JUNHO 2019 The Drive

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