Matadores da Marinha: Rússia está instalando novos mísseis anti-navio na Crimeia

Lançamento de um míssil de cruzeiro pelo sistema de mísseis costeiro Utyos da Frota do Mar Negro da Marinha da Rússia durante treinamentos (foto de arquivo) [© Sputnik / Vasiliy Batanov]

Durante a Guerra Fria, quando a península da Crimeia fazia parte da União Soviética, a Rússia construiu um elaborado sistema de defesa costeira de lançadores de mísseis anti-navio subterrâneos.

Esse sistema desapareceu após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, que possuía a Crimeia. Mas depois que a Rússia tomou e anexou a Crimeia em 2014, os militares russos começaram a reformar as defesas da região.

Agora, autoridades russas sugerem que o próximo passo será a implantação na região de mísseis avançados anti-navio. "O ponto em questão é o possível rearmamento desse sistema com novos tipos de mísseis", disse Alexander Leonov, CEO da fabricante de mísseis Tactical Missile Corporation, à agência de notícias russa TASS.

O sistema de defesa costeira é conhecido pelos seus construtores soviéticos como Utyos("Penhasco"), ou Objeto 100. Ele compreendia uma série de bunkers e lançadores de mísseis subterrâneos armados com o P-35, uma variante do míssil Shaddock da década de 1950 que armava navios de superfície e submarinos soviéticos. Com um alcance de cerca de 200 quilômetros, o Shaddock, de dez metros de comprimento, era um grande matador de navios movido a turbojato.

O site da Frota do Mar Negro da Rússia descreve os Utyos como sendo construídos para sobreviver a uma guerra nuclear. “Posições de lançamento e construções subterrâneas protegidas de armas atômicas foram construídas nos canteiros de obras, que foram equipadas com engrenagens, depósitos de mísseis e oficinas para preparação e reabastecimento. Os mísseis ficavam nos edifícios em carrinhos especiais com suas aletas dobradas e eram movidos para a posição de lançamento através de mecanismos especiais. O complexo subterrâneo tinha total suporte de manutenção, geradores a diesel, instalações de filtragem, abastecimento de combustível, água e alimentos, que garantiam sua atividade vital enquanto estava completamente vedado após um ataque atômico. Perto dos pontos de lançamento, bunkers de concreto protegidos foram instalados perto dos pontos de lançamento para abrigar mísseis removidos dos lançadores”.

O sistema foi construído para sobreviver a uma explosão atômica, mas não sobreviveu às consequências políticas. "Após a desintegração da União Soviética e a divisão da Frota do Mar Negro, os Utyos acabaram por ficar no território da Ucrânia e durante este período um batalhão deste sistema caiu em desuso enquanto o segundo batalhão foi desativado", disse a TASS. “O trabalho para restaurar o sistema começou após a reintegração da Crimeia com a Rússia.”

Depois que a Rússia em 2014 tomou e anexou a península da Criméia da Ucrânia, a Associação de Pesquisa e Produção de Construção de Máquinas, parte da Companhia de Mísseis Táticos, começou a reformar a Utyos. Um jornalista da Reuters que visitou a Crimeia em 2016 relatou ter visto dezoito locais militares novos ou reformados, incluindo bases navais, estações de radar, aeródromos e bunkers Utyos.

Curiosamente, Leonov descreveu a reforma como "trabalho difícil", embora tenha tido o cuidado de acrescentar que a empresa "cumpriu a tarefa designada com sucesso e no prazo".

Quanto ao tipo de mísseis que podem ser utilizados na Crimeia, a mídia russa sugeriu em 2016 que o sistema móvel de mísseis de defesa costeira Bastion, armado com mísseis antinavios supersônicos P-800 Oniks, chegaria à região em 2020.

A Rússia e a antiga União Soviética têm uma longa história de uso de mísseis terrestres para defesa costeira. Para uma nação com um litoral gigantesco que abrange dois continentes e dois oceanos, mas nunca foi uma potência marítima como a América e a Grã-Bretanha, a defesa costeira é uma solução mais barata do que a construção de uma enorme marinha. Reforçar as defesas costeiras da Crimeia também acalma os temores russos de uma invasão anfíbia ocidental no Mar Negro, e sinaliza a determinação de Moscou de manter a Crimeia.

8 de junho de 2019 The National Interest

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