Bartini-Beriev VVA-14: a aeronave anfíbia de decolagem vertical

24 de maio de 2019 War History


Bartini-Beriev fez parte da corrida armamentista da Guerra Fria. Os países antagônicos apoiaram o desenvolvimento de projetos incríveis e ambiciosos. Combater ameaças das profundezas do mar para impedir ataques de mísseis nucleares tornou-se uma das prioridades enfrentadas pela Marinha Soviética.

Na década de 1970, uma aeronave anfíbia única Bartini-Beriev VVA-14 foi criada para a defesa das fronteiras da União Soviética. Foi criada para decolagem e pouso vertical, mas tinha a capacidade de decolar e pousar na água e na terra como uma aeronave comum.


Sua principal tarefa era detectar submarinos americanos no caso de sua aproximação às fronteiras da URSS.



Bartini Beriev VVA-14 foi nomeado em homenagem ao seu criador Robert Bartini, o famoso projetista italiano nascido na União Soviética, apelidado de Barão Vermelho.

Ele serviu no Exército Austro-Húngaro durante a Primeira Guerra Mundial, até ser capturado pelos russos e enviado para um campo de prisioneiros de guerra em junho de 1916. Bartini foi apaixonado pela aviação por toda sua vida.

Após sua libertação em 1920, Bartini mudou-se para a Itália, onde estudou engenharia aeroespacial no Instituto Politécnico de Milão, graduando-se em 1922. Ele também treinou como piloto.



Depois que Benito Mussolini chegou ao poder, Bartini emigrou da agora fascista Itália  para a URSS e foi nomeado engenheiro de aviação pelas forças armadas soviéticas. Após a mudança, ele conseguiu liberar o seu potencial, desenvolvendo uma série de projetos interessantes e inovadores que se tornaram conhecidos em todo o mundo.

Bartini foi forçado a conhecer todas as “alegrias” do tempo de Stalin. Ele foi acusado de ser espião de Mussolini e, posteriormente, declarado "inimigo do povo". A Guerra Fria estava viva e bem.
 
Bartini foi colocado em um Gulag e continuou a desenvolver equipamentos de aviação para a União Soviética no programa da Divisão de Projetos Experimentais. Enquanto estava na prisão, ele e Andrey Tupolev projetaram o avião bombardeiro Tupolev Tu-2.



Após oito anos de prisão, Bartini foi libertado e continuou suas atividades de aviação na URSS. O projetista de aeronaves desenvolveu a “Teoria do transporte intercontinental na Terra”, segundo a qual o veículo ideal é um veículo anfíbio, combinando as vantagens de navios, helicópteros e aviões.

Em 1962, Bartini apresentou o primeiro projeto desse tipo. O MVA-62 era uma aeronave anfíbia com a possibilidade de decolagem vertical e aterrissagem em quase qualquer superfície. O MVA-62 poderia voar como um avião e poderia se mover como um ekranoplan (barco com asas).

O primeiro exemplar do projeto MVA-62 mostrou-se bem nos testes e serviu de base para a criação do anfíbio VVA-14. Supunha-se que a nova aeronave realizaria as tarefas de detectar submarinos inimigos, bem como realizar operações de busca e salvamento.



Em 1972, o primeiro mplar de teste foi desenvolvida sob o nome VVA-14M1. Logo, em 4 de setembro de 1972, o anfíbio fez seu primeiro voo. Era uma aeronave incomum observada a partir do solo e, impressionados pelas suas dimensões, os projetistas batizaram-no com nome não oficial "Zmey Gorynych" (Dragão Eslavo).

Durante o primeiro voo, foram reveladas várias deficiências, que Bartini começou a corrigir. Em 1974, foram feitas mudanças no projeto, juntamente com a instalação de pontões infláveis, que foram posteriormente substituídos por pontões rígidos. Além disso, houve um problema com a instalação de um motor de elevação para a decolagem vertical.


A tripulação do VVA-14 era composta por três pessoas. A propulsão incluía motores turbofan (dois para cruzeiro e 12 para elevação), que permitiam à aeronave desenvolver uma velocidade máxima de 760 km/h.

O alcance de voo atingiu 2.450 km e o teto de serviço foi de 26.250 a 32.800 pés (8.000 a 10.000 m). O armamento consistia de dois torpedos aéreos, oito minas aéreas ou 16 bombas aéreas.



O projetista da aeronave estava esperando pelos motores para a decolagem vertical, mas o trabalho para criação de um motor de elevação nunca foi concluído.

Por esta razão, decidiu-se adicionar ao VVA-14 a função de ekranoplan, isto é, usando o modo de voo na superfície, mas tendo a capacidade de voar a grandes altitudes como um avião.


Em 6 de dezembro de 1974, Bartini morreu em Moscou aos 77 anos de idade. Ele está enterrado em Moscou no Cemitério Vvedenskoye.

Em seu monumento lê-se a inscrição "Na terra dos soviéticos, ele manteve seu juramento de dedicar toda a vida para que os aviões vermelhos voassem mais rápido que os negros".

Após a morte de Bartini, seu projeto, já muito mais lento, continuou a evoluir por dois anos. Nas águas da baía de Taganrog, os testes do avião foram realizados no modo de um ekranoplan.

Um total de 107 vôos foram feitos pela VVA-14, gastando um total de 103 horas no ar. Em 1976, o desenvolvimento posterior do projeto foi interrompido.

Tudo o que era supérfluo foi removido da aeronave e, em 1987, o protótipo foi enviado ao Museu da Força Aérea Central, na Rússia, onde permanece até hoje. Atualmente, o projeto grandioso do genial projetista de aviões italianos é um triste espetáculo.

Em 2013, um grupo de entusiastas surgiu com o objetivo de restaurar o VVA-14, mas sem sucesso.

Traduzido por Pacto de Varsóvia

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