Ás soviético de MiG-15 conta como derrubou um B-29 na Guerra da Coreia

Um MiG-15 da URSS e um B-29 da USAF

THE NATIONAL INTEREST - Os pilotos de escolta pareciam ser covardes. Se os forçássemos com um par ou com um grupo de quatro aeronaves, eles voavam para a direita e para a esquerda e nos deixavam um caminho aberto para os bombardeiros. “Bom”, pensei. "Esses caras estão trabalhando para nós", disse o Tenente-Coronel Aleksander Smorchkov, piloto de MiG-15.

A URSS começou a ajudar a República Popular da China no estabelecimento de uma força aérea moderna em 1950, quando os regimentos e divisões da Força Aérea Soviética foram enviados ao Extremo Oriente para treinar pilotos locais. O envolvimento da China na Guerra da Coréia, no final de outubro de 1950, inevitavelmente atraiu os pilotos soviéticos para o conflito, e eles fizeram sua primeira aparição sobre a Coréia do Norte em 1º de novembro, quando os caças MiG-15 da 151ª GvIAD (Regimento da Guarda de Caças) enfrentaram aviões da USAF. Tais confrontos se tornariam uma parte cotidiana da Guerra da Coréia até que o conflito terminasse em julho de 1953.

As batalhas travadas entre o MiG-15 do 64º IAK (Corpo de Caças) e o Comando de Bombardeiros da Força Aérea do Extremo Oriente no final de outubro de 1951 foram algumas das mais ferozes e sangrentas de toda a  Guerra da Coréia.

Nada menos que cinco bombardeiros B-29 Superfortress  foram perdidos para  os caças soviéticos  em apenas 72 horas entre os dias 22 e 24, sendo o primeiro deles o B-29A 44-61656 da 19ª Ala de Bombardeiros, sendo sua destruição creditada ao ás com 12 abates o Tenente-Coronel Aleksander Smorchkov do 18º GvIAP. O ás soviético recordou depois no livro Soviet MiG-15 Aces of the Korean War de Leonid Krylov e Yuriy Tepsurkaev.


"Estas missões de B-29 foram as mais difíceis que eu voei na Coréia. Decolamos com mau tempo e alguns dos meus pilotos tinham pouca experiência em voar nessas condições. Nós procuramos por brechas nas nuvens, mas quando chegamos a 10.000 m (32.500 pés) o céu estava nublado. Então recebemos a ordem de seguir um curso que nos levaria aos 'grandões'. Nós tivemos de perder 5.000 m (16.000 pés) de altitude e voar sob as nuvens. Mas como poderíamos encontrá-los através das nuvens? Eu poderia fazer isso sozinho, mas eu tinha todo o regimento comigo. Eu não podia perguntar à minha base porque eles esperariam que eu fosse capaz de lidar com a situação, e eu poderia até ser repreendido por fazer tal pergunta.

Eu olhei para trás e vi o regimento inteiro lá, segurando bem a formação. Ordenei que todos baixassem o nariz, prestassem atenção e não se aproximassem das nuvens. Eu podia ver meu ala, mas nada na minha frente. Eu não queria colisões! Eu era o comandante deles e, portanto, tinha responsabilidade por todos os meus pilotos. Se apenas um par colidisse, seria minha culpa. Mas começamos a sair das nuvens e elas  ficaram acima de nós. E lá estavam elas - as Superfortress, a apenas três quilômetros de nós. Nossa central de comando estimava que havia 12 bombardeiros - eu já os contara - e até 120 caças de escolta.

Uma Super Fortaleza Voadora B-29 da USAF
Uma Super Fortaleza Voadora B-29 da USAF

E o meu regimento? Eu olhei em volta e lá estavam eles! Todos eles estavam comigo e já me senti melhor. Mandei que fossem para os grandalhões, mas não era para esquecer os pequenos. Então nós atacamos. A velocidade de nossos alvos era de 500 km/h e a nossa era de 1.100 km/h. Os pilotos de escolta pareciam ser covardes. Se os forçássemos com um par ou com um grupo de quatro aeronaves, eles voavam para a direita e para a esquerda e nos deixavam um caminho aberto para os bombardeiros. 'Bom', pensei. 'Esses caras estão trabalhando para nós'.

Disparei uma rajada em um bombardeiro e vi minhas balas tracejantes errarem o alvo. Quando cheguei mais perto, atirei novamente em seus motores do lado direito e no tanque de combustível. Chamas vermelhas saíram deles e a Superfortress começou a descer. Quando começou a se partir, vi seis pára-quedas se abrirem, mas não havia tempo para eu assistir, pois as escoltas pareciam ter acordado.


Eu sempre ensinei aos meus pilotos que um avião como o B-29 valia toda a sua munição. Se cada um de nós pudesse abater uma Superfortress, seria ótimo. Mas eu ainda tinha um pouco de munição depois de derrubar meu bombardeiro, então usei-o para destruir  um F-84. Eu disse ao  meu ala, Vladimir Voistinnyh, 'Vá em frente, eu vou te cobrir', quando ele ia atrás de um Thunderjet, mas  a batalha estava acabando e então nós fomos ordenados a retornar para casa."

Um MiG-15 soviético da Guerra da Coreia
Um MiG-15 soviético da Guerra da Coreia

Traduzido por Pacto de Varóvia.

4 de agosto de 2019 The National Interest

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