MP-43, o primeiro fuzil de assalto que deu origem ao AK-47 e ao M-16 (2/2)




Mesmo durante a incerta evolução do Mkb42, o medo de revelar a verdadeira natureza do projeto ficou evidente até mesmo na denominação do novo modelo, pois era radicalmente diferente da Maschinen Pistole (pistola automática), como ficou conhecida a submetralhadora MP-40 aprovada por Hitler. O MP-43 obviamente não era nem fuzil nem submetralhadora, mas o resultado mortal de ambos. Pesando 13 quilos, o MP-43 possuía um alcance efetivo de 600 metros, uma taxa de fogo de 500 a 600 disparos por minuto e uma velocidade inicial de 670 metros por segundo.


O primeiro teste em batalha dessa nova arma é freqüentemente atribuído aos defensores do Bolsão de Kholm em fevereiro de 1942, mas na verdade nenhum Mkb42 ainda havia sido entregue, muito menos o MP-43. Provavelmente era o rifle semiautomático Gewehr 41. O primeiro verdadeiro teste de campo do recém denominado MP-43 ocorreu na primavera de 1943, quando as tropas da Divisão SS Wiking estavam armadas com ele. A arma foi um sucesso imediato, exibindo uma impressionante combinação de poder de fogo e controle.


A história de que Hitler pulou de alegria com os relatos de seus generais sobre o desempenho desse instrumento de batalha revolucionário, e em sua alegria imediatamente o apelidou de Sturmgewehr, também é uma falsidade. Sempre cético, Hitler cancelou o desenvolvimento da MP-43 e buscou a opinião das tropas da linha de frente antes de autorizar a produção limitada no final de 1943.

Embora a arma, batizada oficialmente MP-44 Sturmgewehr (apesar de não haver diferença funcional com a MP-43), tenha sido produzida até o final da guerra, esses atrasos iniciais de autorização, associados a problemas recorrentes de fabricação e fornecimento, asseguraram que nunca seriam entregues grandes quantidades suficientes da arma para influenciar a luta em qualquer frente.




Krummlauf e Vampir


Tal como aconteceu com muitas das suas invenções na Segunda Guerra Mundial, o alto comando alemão também procurou diversificar as aplicações de combate do MP-43/44. Uma pequena indústria de pesquisa e desenvolvimento surgiu criando acessórios que permitiriam que o MP-44 fosse usado em diversas situações. Provavelmente, a mais bizarra dessas invenções era um dispositivo conhecido como Krummlauf , ou "cano dobrado". Era um pedaço de tubo de aço graduado que se ligava ao cano da arma e se curvava em um ângulo de 30 ou 90 graus. A deformidade da bala saindo da versão de 90 graus do Krummlauf degradou seu desempenho e velocidade a ponto de ser considerado ineficaz, mas a versão de 30 graus entrou em produção limitada. O dispositivo também foi equipado com um periscópio. Sua finalidade não foi prontamente aparente para o raro inimigo que a encontrou.

MP-44 'Krummlauf' para atirar em angulo equipado com periscópio Zeiss
MP-44 'Krummlauf' para atirar em angulo equipado com periscópio Zeiss

O Krummlauf foi pensado para ser destinado a combates de rua, permitindo ao usuário ver em torno das esquinas em um ambiente urbano. A verdade é um pouco diferente, mas não é surpreendente. Considerando a confiança alemã nos blindados  em suas operações e sua experiência com táticas antitanque russas na Frente Oriental, o Krummlauf na verdade foi projetado para fornecer uma maneira para o soldado disparar sua arma no interior limitado de um veículo blindado e ter um campo de visão curto mas claro ao fazê-lo. A angularidade do dispositivo de tiro pretendia torná-lo efetivo para eliminar um atacante do lado de fora do veículo, pois os alemães haviam enfrentado soldados russos à espreita e subindo em tanques e outros veículos para prender explosivos. Assim, a bala não só precisava ter um alcance efetivo muito curto, mas uma trajetória muito incomum.


Outro desenvolvimento revolucionário que é agora um dos principais elementos do combate moderno foi o sistema de combate noturno projetado para o MP-44. Apelidado de Vampir, o pesado visor infravermelho permitiria ao soldado estender suas operações de combate a qualquer hora do dia. O sistema consistia de uma bateria carregada em uma mochila, um telescópio e um holofote infravermelho. Enquanto o sistema Vampir supostamente viu uso nos meses finais da guerra, nunca foi amplamente distribuído, e as fontes indicam que apenas cerca de 300 dessas unidades foram produzidas.

MP-44 'Vampir' para visão noturna
MP-44 'Vampir' para visão noturna

Alguns acessórios mais comuns incluíam telescópios e lançadores de granadas, que eram empregados em vários graus de sucesso, mas descobriu-se que a arma funcionava melhor quando desimpedida e permitia executar a tarefa para a qual foi projetada. A escassez de acessórios necessários atormentava os usuários do MP-44, tais como munição, magazines, bolsas para magazines, bandoleiras e kits de limpeza, que haviam sido fabricados em abundância para armas de antes da guerra.

Versão para visão noturna do MP-44 com o módulo infravermelho 'Vampir'
Versão para visão noturna do MP-44 com o módulo infravermelho 'Vampir' 

Uma arma influenciadora


Apesar de sua distribuição limitada (apenas 80.000 foram produzidos) e seu curto tempo de combate, o MP-44 ainda ocupa um lugar histórico no desenvolvimento de armas de fogo como o primeiro fuzil de assalto do mundo, para não mencionar o seu pioneirismo. Embora negado por Anton Kalashnikov, sua influência no projeto do fuzil de assalto AK-47 é claramente visível, e o MP-44 ainda pode ser encontrado servindo em muitos exércitos e milícias africanos e no Oriente Médio até hoje.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

Brandt Heatherington é uma escritor freelancer e colecionador de militaria que vive em Arlington, Virgínia. Ele é membro da Companhia de Historiadores Militares.

20 de agosto de 2019 The National Interest

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