Questões técnicas atrasam entrega do mais novo navio de assalto anfíbio da classe América

Navio anfíbio USS Tripoli

THE DRIVE - A Huntington Ingalls Industries revelou que entregará o próximo navio de assalto anfíbio da classe America, o futuro USS Tripoli , a Marinha dos Estados Unidos mais tarde do que o esperado, com a data de comissionamento sendo possivelmente adiada para 2020. O construtor das embarcações citou dificuldades técnicas não especificadas pelos atrasos.

Mike Petters, diretor executivo da Huntington Ingalls Industries (HII), fez o anúncio em uma reportagem trimestral com repórteres em 1º de agosto de 2019. A Marinha planejava comissionar o futuro Tripoli, que já completou os testes de construtores em julho, em algum momento neste outono,  mas isso não ocorrerá até o final do ano, no mínimo. A HII lançou o navio em 2017 e entregou o primeiro da classe USS America a Marinha três anos antes do Tripoli.

"Os sistemas estão funcionando. Resta apenas descobrir se eles farão o navio entrar em operação", explicou Petters, segundo o USNI News. "Estamos lidando com algumas questões de projeto com as quais estamos trabalhando e discutindo com a Marinha."

Petters acrescentou que a HII estava negociando com a Marinha se todas as deficiências precisam ser resolvidas antes do comissionamento. Ele se recusou a dar detalhes sobre questões específicas.



"Acreditamos que encontraremos uma solução por volta do final do ano e, se for no final deste ano ou o começo do ano que vem, não queremos colocar pressão extra nisso". Petters continuou: "Queremos resolver isso da maneira correta".

A Marinha não mencionou nenhuma possibilidade de um atraso no comissionamento quando anunciou que o futuro Tripoli havia terminado os testes de construtores em 19 de julho de 2019. "A equipe da Marinha e da indústria fez um trabalho louvável esta semana", disse na época Tom Rivers, o Gerente do Programa de Guerra Anfíbia do Escritório do Chefe de Programas de Navios da Marinha. (ufa!)



A HII deu como motivo específico para o atraso como "questões técnicas de projeto", em vez de, digamos, problemas de controle de qualidade, isso aumenta portando ainda mais a questão sobre se essas deficiências poderiam estar relacionadas com as dificuldades enfrentadas com o primeiro da classe USS America e se esse navio ainda pode sofrer problemas semelhantes anos após entrar formalmente em serviço. Em sua análise dos desenvolvimentos relativos à classe America no ano fiscal de 2018, o Diretor de Testes Operacionais e Avaliação do Pentágono ( DOTE) destacou uma série de questões remanescentes com o USS America, que também é conhecido pelo seu número de casco LHA ​​6.

Navio anfíbio USS America
Navio de assalto anfíbio USS America

"Testes operacionais demonstraram que o LHA ​​6 é eficaz no apoio a algumas missões do Corpo de Fuzileiros Navais, mas o teste não foi suficiente para demonstrar a eficácia em apoiar toda a faixa de operações do Corpo de Fuzileiros Navais", disse o relatório publicado pelo DOTE em março de 2019 . "O movimento de fuzileiros navais, carga e veículos executados durante os testes foi insuficiente para gerar um tempo operacional realista para um teste operacional adequado requerido pelas Agências Operacionais de Teste."

Uma das questões centrais que permanece é se o America e o futuro Tripoli poderão apoiar as operações de um complemento total de 20 F-35B Joint Strike Fighters (JSF). "A Marinha não concluirá a avaliação operacional da capacidade do navio de suportar um complemento de 20 aeronaves JSF F-35B até 2021", informou o DOTE em março. A Marinha realizou avaliações com uma quantidade reduzida de F-35.



Esta é uma questão importante, uma vez que estes dois navios da classe America não possuem o convés inferior encontrado nas outras classes de navios de assalto anfíbio e está focado principalmente em operações de aviação, incluindo aquelas que envolvem o F-35B. O terceiro navio de classe America, o futuro USS Bougainville, apresenta um projeto revisado significativo que inclui um convés inferior e formará uma subclasse em si. O The War Zone examinou previamente as diferenças nas subvariantes da classe America e seus conceitos associados de operação em profundidade.

Além disso, testes anteriores identificaram vulnerabilidades de segurança cibernética em vários sistemas de rede não especificados no America, o que o DOTE disse que isso no passado "poderia afetar adversamente a eficácia operacional em um ambiente cibernético". Além disso, a Marinha não concluiu um teste obrigatório para avaliar a vulnerabilidade dos navios da classe America contra minas navais, uma ameaça cada vez mais preocupante, especialmente no Oriente Médio em setembro de 2018.



Em 2017, apesar dos problemas, o America partiu para sua primeira missão operacional, que incluiu visitas ao Pacífico Ocidental e ao Oriente Médio. Em janeiro de 2019, a Marinha também anunciou que iria enviar o primeiro navio da categoria para o Japão, onde poderia se tornar o navio-capitânia das forças anfíbias da Sétima Frota dos EUA, ocupando o lugar do antigo primeiro da classe USS Wasp, que deverá retornar aos Estados Unidos.

O USS Wasp no Mar do Sul da China no início de 2019 transportou um número extraordinário de caças F-35B
O USS Wasp no Mar do Sul da China no início de 2019 transportou um número extraordinário de caças F-35B

O atraso na encomenda do futuro Tripoli também ocorre em meio a uma série de problemas com outros programas de construção naval de alto nível da Marinha nos últimos anos. O mais notável destes tem sido os problemas contínuos com o porta-aviões e primeiro da classe USS Gerald R. Ford, que continuam atormentando o navio e efetivamente impedindo que ele realize em sua forma atual, caso necessário, qualquer operação real de combate, dois anos após o seu comissionamento.

Resta descobrir quão sérias são as questões técnicas com o futuro Tripoli, assim como se elas refletirão maiores deficiências com o projeto da classe America. Espera-se que o atraso no comissionamento do navio seja relativamente menor e que o HII possa resolver rapidamente os problemas pendentes.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

2 DE AGOSTO DE 2019 The Drive

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