Presente valioso: 50 anos atrás, um drone secreto dos EUA pousou na URSS

Aeronave de reconhecimento não tripulada D-21B

Em 9 de novembro de 1969, o bombardeiro estratégico B-52H partiu da base aérea americana de Andersen, na ilha de Guam. A bordo estava uma miniatura de aeronave de reconhecimento não tripulada D-21B. Este foi seu primeiro voo de "combate". O objetivo da aeronave de número 517 era um campo de teste nuclear perto do Lago Lob-Nor, na Manchúria.

Tendo voado para as fronteiras da China, o bombardeiro lançou a aeronave de reconhecimento não tripulada e partiu para sua viagem de volta, enquanto o drone voava para cumprir a missão. O sistema de defesa aérea chinês não notou a violação de suas fronteiras. E isso não é surpreendente, porque o D-21 voou a uma velocidade de Mach 3,3 a uma altitude de 27 quilômetros.

B-52 transportando o D-21
B-52 transportando o D-21

Inicialmente, o voo foi conforme o planejado. Tendo fotografado objetos no campo de treinamento, o drone teve de retornar em direção ao Oceano Pacífico, a fim de soltar no ponto de encontro uma fita cassete com o material de espionagem. Infelizmente, o sistema de navegação do robô falhou e o D-21 continuou sua jornada.


Como Mikhail Nikolsky escreve no livro "O corvo de Clarence Jones", o drone logo acabou no espaço aéreo da URSS. Tendo terminado o combustível, o aparelho de três toneladas planou e pousou sem danos significativos na estepe selvagem do Cazaquistão - na região de foguetes em Tyuratam, mais conhecido como cosmódromo de Baikonur.


O UAV 'Corvo' da Tupolev baseado no D-21B capturado
O UAV 'Corvo' da Tupolev baseado no D-21B capturado

Diferentemente das forças armadas chinesas, os oficiais de contra-inteligência soviéticos se mostraram mais profissionais - o drone foi encontrado e entregue primeiro ao cosmódromo e depois ao Escritório de Projetos Tupolev, onde foi chamado de Objeto "R". Descobriu-se que o D-21 era feito de titânio e, no topo, coberto com um filme plástico preto especial. No compartimento de espionagem, que, aliás, foi autodestruído por uma carga especial, havia uma câmera com uma grande distância focal - 400-600 mm.

A aeronave de reconhecimento não tripulada americana de alta altitude serviu de base para o projeto do drone soviético 'Corvo'. Já após o colapso da União Soviética, o ex-chefe do programa de criação de drones, Ben Rich, que visitou Moscou, recebeu vários detalhes da aeronave de reconhecimento desaparecida.

Após o constrangimento, o D-21B fez mais três voos de reconhecimento, dos quais apenas um foi bem-sucedido. O programa foi finalmente encerrado em 23 de julho de 1971 e, dois anos depois, o drone foi retirado de serviço.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

11/09/2019 09:23 Gazeta Russa

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