Rússia irá construir porto no Rio Grande do Sul no valor de US$ 1 bilhão

Ao centro, provável área onde deve ser construído o porto

O prefeito de Arroio do Sal, Affonso Flávio Angst, o popular Bolão, detalhou ontem mais informações sobre o porto do Litoral Norte, no território do município, que está perto de receber recursos de investidores russos para sair do papel. 


À colunista Giane Guerra, de Gaúcha ZH, o prefeito estimou, "por baixo", 4,9 mil vagas de trabalho a serem geradas pelo investimento.

— Seriam de 1 mil a 1,5 mil empregos durante as obras. Na operação do porto, estimamos de 900 a 1 mil postos de trabalho fixos e diretos, além de outros 3 mil indiretos.

O investimento, inicialmente projetado em cerca de 1 bilhão de dólares pelo secretário do Meio Ambiente, Agropecuária e Pesca de Arroio do Sal, Luis Schmidt, pode chegar a US$ 2,8 bilhões. A prefeitura já concedeu viabilidade econômica para o projeto. São necessárias outras liberações. Além dos investidores russos, há investidores brasileiros, como a Doha, com experiência em portos, o Grupo Del Rio, a IG Consultoria e a GS Business. A intenção do grupo, segundo o prefeito Bolão, é instalar a pedra fundamental da obra em março de 2020.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ontem por Bolão ao programa Gaúcha Mais.

Investimento público ou privado
"É público (russo, no caso) e privado."

A escolha da área
"Essa Casa Russa no Brasil (no Paraná, que está por trás do investimento, junto com o Comitê Nacional de Cooperação Econômica da Rússia), tempos atrás, pediu estudo de viabilidade da construção de um porto no Brasil. Tem empresas de Curitiba que estavam trabalhando neste projeto. Essa viabilidade que nós concedemos há seis meses para a construção de um porto em Arroio do Sol, que nem diz um dos integrantes da representação russa: "caiu como uma luva no nosso projeto". Eles tem um projeto bem grande para todo o Brasil que envolve também um porto aqui no Brasil."


Área adquirida
"Sim, já está adquirida, é de investidores aqui do Rio Grande do Sul que vão entrar neste grupo com a parte da área de terras. São quase 200 metros de frente para o mar, até a Lagoa Itapeva (são 130 hectares)."

Em qual balneário
"(Fica) Bem no norte, perto de Arroio Seco, quase divisa com a Paraíso (praia no limite sul do município de Torres).

Licenças necessárias
"Quem vai determinar é o Ibama. Essas liberações serão através do Ibama. Essas empresas começaram por Arroio do Sal, tiveram a viabilidade, assinamos um termo de cooperação entre prefeitura e essas empresas. O próximo passo eles vão para o Governo do Estado e depois para o Governo Federal para conseguir assinar com todos eles".

Liberação de licenças
"Eu acredito que não (haverá dificuldades). Já existem alguns portos no Brasil e no mundo todo deste tamanho. E acredito que a equipe que está tratando, fazendo o projeto deste porto, eles são muito capacitados para fazer esta obra. E haverá também compensações. Acredito que não teremos muitos problemas com o meio ambiente. Inclusive a área não tem muitas incidências com problemas ambientais".

Chegada e saída do porto
"Isso tudo envolve o projeto. Não chega a 10% a parte de área. Não vai interferir nada na Estrada do Mar. O projeto é fazer uma travessia por cima da Lagoa (Itapeva), ligar lá com a BR-101, vai passar por cima da Estrada do Mar. Nas dunas frontais, não vai atingir 200, 300 metros de dunas frontais. Vai ser tudo aéreo. Viabiliza bastante o projeto."

Integrantes da delegação e o prefeito visitaram a orla em Arroio Seco
Integrantes da delegação e o prefeito visitaram a orla em Arroio Seco

O investidor banca (a infraestrutura)?
"Sim, é um projeto global. É tudo investimento privado russo."

Por que o Litoral Norte Gaúcho?
"Tem vários portos, mas o problema é o calado. Esse nosso porto é 18 metros de calado, no mínimo. Não sei se existem um ou dois portos no Brasil que tenham esse calado. Os navios que estão sendo fabricados, de 400 metros de comprimento por 70 de largura e por 60 de altura que transportam em torno de 14,6 mil contêineres, eles precisam no mínimo um calado de 18 metros, e isso nós não encontramos nos portos aqui  no Brasil, ou se tem, são poucos. E em muitos deles o acesso é via canal, tem as dificuldades para esses navios trafegarem por esses canais."


Atividade turística
"Não vai afetar nada o ambiente do município. Será muito melhor, porque o município terá muitos recursos que serão investidos em infraestrutura."

Segurança do investimento
"Todo investimento tem um risco. Eu acredito no investimento. Mas a gente tem que correr algum risco. Cada dia estou acreditando mais neste investimento, a proporção que ele está tomando. As pessoas que estão chegando ao encontro do projeto."

10/12/2019 | 19h19Atualizada em 10/12/2019 | 21h25 Pioneiro


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