O MiG-31 russo será capaz de abater satélites e combater na estratosfera?

26 de fevereiro de 2020 The National Interest

O MiG-31 russo é capaz de abater satélites e combater na estratosfera?

O MiG-31 da Rússia é um avião impressionante que parece preparado para ficar cada vez melhor. Mas Moscou é capaz de desenvolver todas as novas tecnologias que deseja?

Desde a criação dos mísseis hipersônicos Kinzhal até a instalação da tecnologia anti-satélite , a Força Aérea Russa tem grandes planos para seu caça MiG-31.

Recentemente, as filmagens de exercícios do MiG-31 interceptando um “intruso” na estratosfera, esclarecem mais as capacidades e o papel pretendido de sua última encarnação, o MiG-31BM.


O clipe, divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia, mostra um cenário típico de defesa nacional. Uma variante do MiG-31 mais antiga desempenhou o papel de uma aeronave de vigilância coletando dados no espaço aéreo russo. Dois 31BM foram despachados para interceptar o invasor após serem alertados de sua presença por sistemas de radar terrestres. Os 31BM localizaram e atacaram com sucesso o invasor com "mísseis ar-ar simulados" a uma distância de 150 km.


Esta é a tarefa padrão dos exercícios do caça a jato, exceto por um detalhe notável: o exercício ocorreu na estratosfera, com os interceptadores  MiG-31BM voando em velocidades supersônicas. "As tripulações voaram a velocidades supersônicas de mais de 2.800 km/h, a uma altitude de 18.000 metros", de acordo com comunicado à imprensa do Ministério da Defesa.

O canal de notícias estatal russo TASS relata que o exercício envolveu dez equipes, sugerindo vários conjuntos rotativos de interceptores e intrusos. Dado que o 31BM é a variante mais recente da prolífica linha MiG-31, esse tipo de exercício tem como objetivo testar o novo equipamento e treinar os pilotos a usá-lo.


Como destacado anteriormente pelo The National Interest, a capacidade do MiG-31 de carregar cargas úteis em alturas e velocidades impressionantes explica por que é atualmente o único caça a jato russo habilitado a ser equipado em série com mísseis hipersônicos Kinzhal. Um esquadrão de 12 a 16 unidades de MiG-31 armados com o Kinzhal foi estacionado na região do Mar Negro em meados de 2018, após várias rodadas de testes de combate nos meses anteriores.

Mas, embora a capacidade de ameaça estratégica do MiG-31 tenha sido bem escondida no ano passado, este exercício recente é um lembrete da utilidade tática do MiG-31 como interceptador. O 31BM retém o DNA de seu distante antecessor soviético MiG-25, em sua capacidade de interceptar efetivamente aviões de vigilância rápidos e velozes como o SR-71 Blackbird.

Desde o seu surgimento, no início dos anos 80 até os dias atuais, o MiG-31 foi o avião mais rápido a servir na antiga Força Aérea Soviética e agora Russa. Sua velocidade o torna especialmente adequado como interceptador de defesa nacional, capaz de percorrer o vasto espaço aéreo da Rússia para localizar e interceptar intrusos o mais rápido possível.


A atualização 31BM de 2010 segue a tendência russa estabelecida de preservar projetos originais de aeronaves e integrar armas e aviônicos modernos. Isso inclui controles digitalizados, um novo monitor LCD e um radar Zaslon-M atualizado, capaz de rastrear até dez alvos aéreos simultaneamente. O MiG-31BM usa o mesmo eficiente motor D-30F6, embora antigo, do MiG-31 original.

Se essas pequenas atualizações na sua vida útil parecem desinteressantes, é porque a maior reformulação de equipamentos está sendo reservada para o próximo MiG-41. Com previsão de entrada em produção prevista para meados de 2020, o MiG-41 deve ser um jato hipersônico capaz de voar no espaço sideral (100 mil metros).

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

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