Quando Fidel Castro afundou um navio dos EUA com um tanque soviético



Uma pequena praia na margem oriental da Baía dos Porcos, em Cuba, tornou-se palco de lutas ferozes em abril de 1961, após a invasão de cubanos exilados apoiados pelos EUA. Por horas a fio, tanques soviéticos tiveram papel crucial na História cubana.

A invasão de 1.500 exilados cubanos, patrocinados pelo governo dos Estados Unidos e treinados pela CIA, foi esmagada pelas forças do governo de Fidel Castro. O plano era desembarcar, resguardar a área, tomar um aeroporto e introduzir um “governo no exílio” que pediria o apoio de Washington para justificar uma intervenção dos EUA.

Cuba contava com velhos tanques Sherman norte-americanos para lidar com a invasão, mas também empregou alguns dos lendários tanques soviéticos T-34 que haviam contribuído de maneira tão proeminente para derrotar a Alemanha nazista – desta vez, os veículos enfrentaram os homens enviados pelo presidente Kennedy.


Como os tanques chegaram a Cuba?

Na visita de Raul Castro à Rússia em julho de 1960, o cubano recebeu a informação de que o país latino-americano receberia tanques T-34/85, um modelo de 1946. Em outubro daquele mesmo ano, desembarcaram em Havana os primeiros blindados a bordo do cargueiro Iliá Mietrikhov, comandado pelo capitão Adolf Matiukhin. Dois meses depois, quase 100 exemplares já haviam sido entregues – além de alguns Ióssif Stálin-2 (que nunca entraram em ação) e 41 caça-tanques SU-100 da versão M.

Cargueiro soviético Iliá Mietrikhov em Cuba
Cargueiro soviético Iliá Mietrikhov em Cuba

Foram selecionadas 25 pessoas entre as melhores dos cursos ministrados nos tanques estadunidenses herdados da ditadura e iniciou-se então sua adaptação ao T-34M na base de Manágua, com instrutores soviéticos. O primeiro curso terminou em fevereiro. Os novos tanquistas foram espalhados pelos lugares mais delicados da ilha do Caribe.

De acordo com o blog 5 de septiembre, a primeira Declaração de Havana, feita em 2 de setembro de 1960, afirmava que “o povo de Cuba reunido na Assembleia Geral Nacional declara que, se a ilha de Cuba for invadida por forças militares imperialistas, Cuba aceitará ajuda das armas da URSS”. Os tanques e as equipes estavam prontos.


Fidel afunda navio estadunidense com tiros de canhão

As fotos de Fidel e Che Guevara organizando a defesa das praias cubanas contra a invasão dos EUA em abril de 1961 estamparam jornais do mundo inteiro. No site fidelcastro.cu, o tenente Néstor López Cuba recorda o momento em que Fidel Castro entrou em ação a bordo de um blindado soviético. Entre as embarcações de desembarque e outros navios, estava o navio da classe Liberty “Houston”, de 8.000 toneladas, o qual, supunha-se, transportava grandes quantidades de material aos invasores. “Ele não queria atirar, porque dali vinha a logística da brigada de mercenários. ‘Há muito lá, temos que saber o que traz esse navio’, disse Fidel.”.

O navio da classe Liberty “Houston” sendo afundado
O navio da classe Liberty “Houston” sendo afundado

Houve tanta insistência para que o navio fosse atacado, que Fidel, segundo López Cuba, disse: “Bem, vamos lá, prepare um tanque”. Um T-34 e um SU-100 foram disponibilizados ao líder revolucionário. Embora Fidel tenha avançado no T-34, de acordo com a imprensa oficial cubana, ele atirou contra o Houston a partir do Su-100, deixando-o em chamas logo após o disparo. De acordo com outras versões, o navio havia sido seriamente danificado por aviões Sea Fury cubanos.

Quais tanques soviéticos foram usados ​​contra as tropas da CIA?

T-34

Fidel Castro descendo de um tanque T-34
Fidel Castro descendo de um tanque T-34

O T-34 é um tanque médio de fabricação soviética que foi produzido entre 1940 e 1958. Graças à sua blindagem, poder de fogo e fabricação simples, tornou-se o tanque mais produzido do mundo. Na segunda metade do século 20, o T-34 foi usado nos conflitos que se seguiram até a década de 1990 (na Iugoslávia). Uma das fotos mais lembradas de Girón é aquela em que Fidel salta de um desses tanques. Em Cuba, o modelo teve sua torre adaptada, e eles se tornaram parte da artilharia autopropulsada.


SU-100

Um dos melhores caça-tanques da Segunda Guerra Mundial (utilizado no último ano do conflito), era capaz de penetrar 125 mm de carcaça vertical a uma distância de 2.000 metros. Usado ​​por décadas em várias guerras por todo o planeta, eles aparentemente continuavam operando no Exército Popular do Vietnã em 2006. Em Cuba, segundo as poucas informações existentes, o modelo permaneceu em serviço até os anos 1980. Estima-se que cerca de 15 foram usados para fortificações costeiras, e outros foram afundados no mar para servir de recifes artificiais e atração turística.

Su-100 usado por Castro para bombardear o “Houston”, exposto em Havana
Su-100 usado por Castro para bombardear o “Houston”, exposto em Havana

O capitão Matiukhin, marinheiro que levou os primeiros tanques soviéticos para Cuba, lembraria anos depois: “Sempre vou guardar na memória uma das missões de solidariedade mais importantes de minha longa carreira como marinheiro: a oportunidade memorável de levar a Cuba, naquele verão de 1960, os tanques que, nas mãos dos heroicos filhos da ilha, contribuíram para infligir ao império norte-americano essa derrota militar e política sem precedentes”.

05 DE NOVEMBRO DE 2019 Russia Beyond

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