Conheça o USS Nautilus: O primeiro submarino nuclear dos EUA foi um divisor de águas

7 de abril de 2019 The National Interest

Conheça o USS Nautilus: O primeiro submarino nuclear dos EUA foi um divisor de águas

Em uma época em que o progresso tecnológico era rápido, o Nautilus foi uma conquista impressionante. Apenas nove anos após o teste da bomba atômica em Alamogordo, Novo México, o Nautilus estava a caminho e usando energia nuclear.


Em 1948, a Marinha dos EUA estabeleceu a Divisão de Energia Nuclear, iniciando uma revolução na propulsão de navios. O departamento, chefiado pelo lendário oficial da Marinha, almirante Hyman Rickover, supervisionaria a construção de um navio único, o primeiro a tirar proveito dos benefícios da propulsão nuclear. Aquele navio era o submarino nuclear USS Nautilus.


A Marinha dos EUA, acostumada a viajar longas distâncias para travar suas batalhas, era uma das primeiras adeptas da propulsão nuclear. A energia nuclear prometeu eliminar a necessidade de grandes quantidades de combustível dos navios, reduzindo as demandas logísticas de uma frota no mar. Como Norman Polmar e KJ Moore explicaram em seu livro Cold War Submarines, os submarinos movidos a energia nuclear teriam um alcance praticamente ilimitado, seriam mais rápidos acima e abaixo da superfície do oceano, operariam mais facilmente e gerariam mais energia por volume do que os motores a diesel.

A construção de um submarino movido a energia nuclear - a primeira embarcação movida a energia nuclear foi iniciada em 1951. O submarino Nautilus seria movido por um reator térmico submarino S2W, um reator atômico a água pressurizada capaz de gerar até 13.400 cavalos de potência. Isso daria ao Nautilus uma velocidade máxima de 23 nós. O navio teria 97,5 metros de comprimento, 25 metros mais que a classe Tang, de potência convencional, e deslocaria quatro mil toneladas submersas, o dobro do que os Tangs. Tinha uma tripulação de 105 homens.

Os Estados Unidos ainda não haviam desenvolvido o projeto do casco em forma de gota que ainda hoje está em uso, e o Nautilus se parecia com o U-boat alemão Tipo XXI.
Os Estados Unidos ainda não haviam desenvolvido o projeto do casco em forma de gota que ainda hoje está em uso, e o Nautilus se parecia com o U-boat alemão Tipo XXI.

Embora o Nautilus fosse alimentado por um reator nuclear estadunidense, seu casco era de origem alemã. Os Estados Unidos ainda não haviam desenvolvido o projeto do casco em forma de gota que ainda hoje está em uso, e o Nautilus se parecia com o U-boat alemão Tipo XXI, o projeto mais avançado da guerra e a base para muitos projetos submarinos imediatos do pós-guerra, incluindo a classe Whisky soviética e a classe Porpoise do Reino Unido. Embora o uso da energia nuclear tenha lhe proporcionado uma vantagem de cinco nós em relação à classe Tang, de potência convencional, o casco inspirado no Tipo XXI era um ajuste entre a navegação acima e abaixo da superfície, impedindo que o Nautilus cumprisse a promessa da energia nuclear de obter velocidades sustentadas de mais de trinta nós.

O Nautilus foi formalmente comissionado na Marinha em 30 de setembro de 1954, mas não ficou no mar por meses. O reator foi iniciado em 30 de dezembro e, em 17 de janeiro de 1955, finalmente saiu do píer, enviando o sinal UNDERWAY ON NUCLEAR POWER. Ele rapidamente quebrou recordes de distância e velocidade, incluindo uma viagem submersa de New London, Connecticut, a Porto Rico, uma distância de 2.222 quilômetros em noventa horas, ou uma média de quinze nós.



Ainda assim, o Nautilus não era perfeito. Submerso, o fluxo de água atrás de sua vela produzia vibração, assim como em velocidades acima de dezesseis nós. Segundo Polmar e Moore, era necessário gritar para ser ouvido na sala de torpedos quando o navio estava na faixa de quinze a dezessete nós. Coletivamente, as vibrações eram tão ruins que o sonar do submarino era considerado inutilizável acima de oito nós. A Marinha prontamente transformou limões em limonada, declarando o submarino "um laboratório operacional flutuante para uma ampla variedade de investigações de ruídos autônomos."

O Nautilus foi originalmente concebido como uma bancada de testes submarina para demonstrar que a energia nuclear era segura e eficaz e, como tal, planejava-se ser desarmado. Felizmente, a decisão foi rapidamente revertida e recebeu o que foi considerado um conjunto de armamento padrão para a época. Seis tubos de torpedo de 533 milímetros foram instalados na proa, juntamente com espaço para armazenar até 26 torpedos.


O Nautilus foi formalmente comissionado na Marinha em 30 de setembro de 1954.
O Nautilus foi formalmente comissionado na Marinha em 30 de setembro de 1954.

Em 1958, o governo dos Estados Unidos pressionou para que um submarino movido a energia nuclear chegasse ao Pólo Norte, como resposta ao lançamento do satélite Sputnik e para provar que submarinos armados com mísseis Polaris poderiam operar acima do Círculo Polar Ártico. Em 23 de julho de 1958, o Nautilus se tornou o primeiro navio a chegar ao Pólo Norte - acima ou abaixo do gelo. O Nautilus viajou do Havaí para a Groenlândia, talvez a viagem mais incomum realizada até agora por qualquer navio.

Após uma revisão em 1960, o Nautilus ingressou na Frota Atlântica e serviu como submarino de ataque regular. Uma de suas primeiras operações dignas de nota foi a participação no bloqueio de Cuba durante a Crise dos Mísseis em Cuba. Ainda assim, a combinação de ruído de vibração e o projeto do casco rapidamente tornado obsoleto pelos experimentos realizados no USS Albacore, significavam que era mais um navio de segunda linha, participando de exercícios de guerra anti-submarinos longe das forças soviéticas. Permaneceu em serviço até 1979, e em 1985 foi aberto ao público como uma exposição permanente na Biblioteca e Museu da Força Submarina.


Em uma época em que o progresso tecnológico era rápido, o Nautilus foi uma conquista impressionante. Apenas nove anos após o teste da bomba atômica em Alamogordo, Novo México, o Nautilus estava a caminho e usando energia nuclear. Mas além disso, o submarino provou que a propulsão nuclear era segura e eficiente, abrindo caminho para uma frota de submarinos da Marinha dos EUA totalmente nuclear. Durante sua carreira, ele fez 2.507 mergulhos e viajou 826.478 quilômetros [quase] sem incidentes (em 10 de novembro de 1966, o USS Nautilus (SSN-571), enquanto estava submerso, colidiu com o USS Essex (CV-9) 563 quilômetros ao largo da costa da Carolina do Norte). Um pioneiro, o sucesso da Nautilus garantiu que a frota submarina dos EUA manteria superioridade [paridade] tecnológica sobre sua Marinha Soviética pelo restante da Guerra Fria.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

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