O Avro 730 britânico poderia ter superado o avião espião SR-71

26 de abril de 2020 The National Interest

O Avro 730 britânico poderia ter superado o avião espião SR-71

Esse foi um grande mistério da Guerra Fria, qual avião super-rápido seria superior. Infelizmente, Londres nunca construiu um Avro avançado.


Se a história tivesse sido diferente, o primeiro avião espião Mach 3 da Guerra Fria poderia ter sido britânico e não estadunidense.


A Força Aérea dos EUA usou o lendário SR-71 Blackbird pela primeira vez em janeiro de 1966. No entanto, a Grã-Bretanha tinha planos para uma aeronave de reconhecimento supersônico de grande altitude que poderia ter voado em 1965.

O Avro 730 nasceu no início da década de 1950, no crepúsculo dourado dos bombardeiros estratégicos tripulados antes que os ICBMs fizessem sua estréia ardente. Para apoiar sua força de bombardeiros-V com armas nucleares - Valiant, Victor e Vulcan - a Royal Air Force pediu um jato de reconhecimento de grande altitude e longo alcance que pudesse voar a uma velocidade de pelo menos Mach 2.5 (3.090 quilômetros por hora).

A dimensão desses objetivos podem ser vistos pelo fato de que a Grã-Bretanha não usaria seu primeiro caça supersônico, o Lightning, capaz de Mach 2, até 1959. E para tornar o desenvolvimento do avião espião ainda mais complicado, a RAF acabou adicionando um requisito que a aeronave se torne um bombardeiro de reconhecimento capaz de lançar armas nucleares.

O Avro 730, de quatro turbojatos, lembrava um pouco o SR-71.
O Avro 730, de quatro turbojatos, lembrava um pouco o SR-71.

Em 1955, a RAF assinou um contrato de desenvolvimento com a Avro, a fabricante de aeronaves por trás do Vulcan e o lendário bombardeiro Lancaster da Segunda Guerra Mundial. O Avro 730, de quatro turbojatos, parecia um pouco com o SR-71, com uma fuselagem longa e delgada, exceto que o 730 tinha canards - mini asas - perto do nariz.

A altitude máxima seria de 20 mil metros e alcance máximo de 6.900 quilômetros a uma velocidade máxima de Mach 2,5, de acordo com o autor Tony Butler em seu livro British Secret Projects: Jet Bombers Since 1949. A aeronave totalmente abastecida pesaria 146 toneladas, com metade do peso da aeronave absorvida pelo combustível. A tripulação de dois homens iria sentada em uma cabine de comando que tinha apenas duas pequenas janelas voltadas para o lado. Para obter visibilidade durante a decolagem e aterrissagem, o piloto contaria com um periscópio retrátil.



Enquanto o Blackbird foi construído principalmente com o leve titânio, resistente ao calor e bastante caro, o 730 usava materiais antiquados. “A Avro baseou a estrutura do 730 em aço de alta resistência, uma vez que isso permitiu o Mach 2,5 especificado, argumentando que suas propriedades conhecidas e confiáveis ​​compensam o menor tempo de desenvolvimento da liga leve; também ofereceu desenvolvimento possível a números Mach ainda mais altos”, escreve Butler. No entanto, o aquecimento continuou sendo uma preocupação séria. Assim como o Blackbird, o 730 teria usado seu próprio suprimento de combustível como dissipador de calor para resfriar a aeronave.

Como uma aeronave de reconhecimento, o 730 levaria o radar Red Drover de banda X de varredura lateral para examinar o terreno abaixo. Como bombardeiro, levaria armas atômicas britânicas com nomes de código bizarros como Green Bamboo ou Orange Herald.

Os oficiais de defesa britânicos viram o futuro como pertencente a mísseis balísticos com armas nucleares, o que resultou no cancelamento de vários projetos de aeronaves britânicas, incluindo o 730.
Os oficiais de defesa britânicos viram o futuro como pertencente a mísseis balísticos com armas nucleares, o que resultou no cancelamento de vários projetos de aeronaves britânicas, incluindo o 730.

O plano era que a RAF começasse a voar o 730 em 1965, talvez um ano antes de o SR-71 entrar em operação. Infelizmente, nenhum 730 jamais saiu da prancheta. Em 1957, chegou o importante Livro Branco Britânico sobre Defesa, que concluiu que mísseis terra-ar haviam tornado obsoletos os bombardeiros de grande altitude (como seria comprovado pela queda de um U-2 estadunidense por um míssil soviético em 1960). Os oficiais de defesa britânicos viram o futuro como pertencente a mísseis balísticos com armas nucleares, o que resultou no cancelamento de vários projetos de aeronaves britânicas, incluindo o 730.

Sempre haverá duas perguntas associadas ao Avro 730. Primeiro, como ele seria comparado ao SR-71? Como o 730 nunca voou, nunca poderemos ter certeza. Mas em termos de especificações oficiais, o SR-71 seria uma aeronave superior. O Blackbird podia voar a 24 mil metros e atingir uma velocidade de Mach 3,3 (4.070 quilômetros por hora). Isso não é surpreendente: enquanto a Grã-Bretanha estava na vanguarda da tecnologia da aviação antes da Segunda Guerra Mundial, na década de 1960 os vastos orçamentos e recursos de defesa da América permitiram o desenvolvimento de aeronaves de alta tecnologia com as quais outras nações só poderiam sonhar.


A outra pergunta, é claro, é se o Avro 730 teria sido uma aeronave que valeria a pena para a Grã-Bretanha. Butler coloca da melhor maneira: “Caso vencedor, e se o Avro 730 fosse terminado e voado, teria sido uma grande conquista, mas, mais uma vez, avanços significativos no desenvolvimento dos mísseis antiaéreos soviéticos literalmente fizeram cair tudo por terra e fez do 730, pelo menos aos olhos britânicos, um conceito ultrapassado e obsoleto. O Avro 730 tinha muito em comum com o estadunidense Lockheed SR-71 Blackbird e o antecedeu em um ano ou dois. Os primeiros estudos dos Estados Unidos pareciam semelhantes a alguns dos projetos descritos neste capítulo, mas os EUA conseguiram concretizar seu programa e o SR-71 serviu por muitos anos. Se a Grã-Bretanha terminaria sua máquina, e se ela valeria seu custo, esse é um argumento que provavelmente nunca será decidido.”

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

Postar um comentário

0 Comentários