Por que os militares dos EUA pararam de usar o lança-chamas

4 de abril de 2020 The National Interest

Por que os militares dos EUA pararam de usar o lança-chamas

A ideia de usar o fogo como arma provavelmente ocorreu assim que o primeiro assentamento humano foi atacado por uma tribo rival. O problema é que o fogo não conhece amigo ou inimigo e, por eras, não pode ser realmente controlado. 


O exemplo mais antigo conhecido de uma "queima controlada" direcionada a um inimigo foi o Fogo Grego dos bizantinos. Exatamente quais ingredientes entravam na mistura e como ele era arremessado contra o inimigo ainda é um mistério, mas certamente era um líquido pressurizado e aquecido que era conduzido por um tubo chamado siphōn, mas também poderia ser arremessado com a mão, como nas primeiras granadas. Foi usado principalmente para incendiar navios inimigos a uma distância razoavelmente segura. Segundo várias fontes, o fogo grego foi inventado no século VII e ajudou os bizantinos a combater os primeiros ataques muçulmanos.

Por que ele caiu em desuso é desconhecido, mas no século 13 o fogo grego desapareceu do campo de batalha.


Não foi até a Primeira Guerra Mundial que o fogo voltou a ser utilizado de maneira controlada. O cientista alemão Richard Fiedler havia desenvolvido o conceito de “Flammenwerfer” nos anos anteriores ao conflito, e seu projeto era pequeno o suficiente para ser transportado por um homem e disparar um fluxo de óleo em chamas a cerca de 20 metros.

As trincheiras da Frente Ocidental eram um campo de provas ideal para a arma então não testada, e os alemães empregaram primeiro a versão compacta e uma versão maior que dobrou o alcance contra as tropas francesas nos arredores de Verdun no início de 1915. As armas foram novamente utilizadas contra os britânicos no verão de 1915 e isso convenceu os alemães a utilizar o Flammenwerfer em todas as frentes.

Após o fim da guerra, outras nações consideraram como o lança-chamas poderia ser empregado, e tanto os estadunidenses quanto os britânicos desenvolveram novos modelos que eram abastecidos com napalm, uma gasolina espessa que queimava com calor intenso. As forças armadas dos EUA os usaram com grande efeito contra as fortificações japonesas, incluindo bunkers de toras e cavernas durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo várias fontes, o fogo grego foi inventado no século VII e ajudou os bizantinos a combater os primeiros ataques muçulmanos.
Segundo várias fontes, o fogo grego foi inventado no século VII e ajudou os bizantinos a combater os primeiros ataques muçulmanos.

A maior desvantagem do lança-chamas era que um soldado tinha que usar um tanque pesado nas costas, o que restringia o movimento e fazia desse indivíduo um alvo muito grande. Embora o combustível não acenda por ser atingido por um tiro inimigo, o gás que sai, uma vez misturado ao oxigênio, é bastante inflamável! O outro problema era que os lança-chamas na verdade ofereciam apenas de vinte a trinta segundos de uso - após o que era apenas um equipamento pesado para transportar.

Apesar desses problemas, o Departamento de Defesa dos EUA viu claramente algumas vantagens potenciais oferecidas pelo lança-chamas e criou várias armas incendiárias portáteis e montadas em veículos. Isso incluía a M-202 Flame Assault Shoulder Weapon (FLASH), que era um sistema baseado em foguetes que poderia atingir um alvo cinco vezes mais longe do que os dispositivos mais antigos da era da Segunda Guerra Mundial.


No Vietnã, vários lança-chamas também eram vistos como uma valiosa arma de combate próximo - algo que poderia desmoralizar as tropas inimigas e reduzir posições que, de outra forma, resistiam a outras formas de ataque. No entanto, imagens da “Napalm Girl” - a foto vencedora do Prêmio Pulitzer de 1972 de uma garota nua de nove anos que fugia de sua aldeia após um ataque de napalm - ajudaram a virar a opinião pública contra o uso de tais armas.

As forças armadas dos EUA os usaram com grande efeito contra as fortificações japonesas, incluindo bunkers de toras e cavernas durante a Segunda Guerra Mundial.
As forças armadas dos EUA os usaram com grande efeito contra as fortificações japonesas, incluindo bunkers de toras e cavernas durante a Segunda Guerra Mundial.

Não há proibições internacionais específicas ao uso de lança-chamas; no entanto, existem as normas dos tratados do Direito Internacional Humanitário (DIH), que regulam especificamente as armas incendiárias, conforme o Protocolo III de 1980 sobre proibições ou restrições ao uso de armas incendiárias à Convenção sobre Proibições ou Restrições ao Uso de Certas Armas Convencionais (Protocolo III). Isso incluiria: “qualquer arma ou munição projetada principalmente para atear fogo a objetos ou causar ferimentos por queimadura a pessoas através da ação da chama, calor ou combinação dos mesmos, produzida por uma reação química de uma substância lançada contra o alvo (enfase adicionada).

Se isso exigiria uma proibição de tais armas não é claro, de acordo com especialistas jurídicos: “É incontroverso que qualquer uso de um lança-chamas, seja uma arma incendiária adequada ou não, viole essas regras de proteção de civis. O mesmo vale para qualquer arma.


Contudo, em 1978, o Departamento de Defesa emitiu uma diretiva que efetivamente retirava lança-chamas do uso em combate.

Talvez ironicamente, enquanto armas automáticas, incluindo metralhadoras, fuzis/espingardas de cano curto e outros dispositivos destrutivos, agora todos caem sob a Lei Nacional de Armas de Fogo de 1934, os lança-chamas não. Várias versões comerciais que ainda podem disparar até 15 metros são completamente legais em 48 estados; somente Maryland as proíbe completamente, enquanto a Califórnia os considera "dispositivos destrutivos", mas emite licenças para uso restrito, como nos filmes.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

Postar um comentário

0 Comentários