Donald Trump confirma saída dos Estados Unidos do Tratado de Céus Abertos


13:46 21.05.2020 (atualizado 15:29 21.05.2020) Sputnik

Avião de observação aérea Tu-214ON do Tratado Céus Abertos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar o seu país do Tratado de Céus Abertos, que permite o monitoramento periódico de seu território por aeronaves de outros países, de maneira a aumentar a confiança mútua.


De acordo com o chefe de Estado norte-americano, as motivações seriam o "fato" de que a Rússia estaria violando o acordo e porque as imagens obtidas durante esses voos de observação poderiam ser capturadas de maneira mais eficiente pelos satélites mantidos pelos EUA.


"A Rússia não aderiu ao tratado", disse Trump em conversa com repórteres, citado pela AFP. "Então, até eles aderirem, nós vamos ficar fora."

Segundo autoridades do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, não procede a acusação de que o país teria violado o tratado e Moscou rejeita qualquer tentativa de justificar uma saída citando alguma questão técnica desse acordo, que se mostrou uma base sólida para o aumento da segurança na Europa.

​Mais cedo, o New York Times informou, citando fontes na Casa Branca, que os Estados Unidos planejam notificar a Rússia nesta sexta-feira (22) sobre sua saída do Tratado de Céus Abertos.

"A Rússia viola flagrante e continuamente suas obrigações sob o Céus Abertos e implementa o tratado de maneiras que contribuem para ameaças militares contra os EUA e nossos aliados e parceiros", afirmou mais cedo Jonathan Hoffman, assessor do secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper.


Criado em 1992, o Tratado de Céus Abertos entrou em vigor no ano de 2002, sendo considerado, desde então, um importante dispositivo multilateral de monitoramento de possíveis atividades militares e, consequentemente, de aumento da segurança internacional.

​​Para o vice-chanceler russo, Aleksandr Grushko, a saída dos EUA do acordo afetará os interesses de todos os outros 34 Estados-membros, incluindo os parceiros de Washington na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Mikhail Ulyanov, representante permanente da Rússia em organizações internacionais em Viena, destacou que o tratado funcionou por duas décadas garantindo transparência e alto nível de confiança em assuntos militares na região transatlântica. Mas a decisão do atual presidente norte-americano parece refletir a ideia de "nova era" no controle de armamentos do governo dos EUA, para quem isso deve significar "controle nenhum".

"Os Estados Unidos decidiram cortar mais um tratado multipartidário sobre controle de armas, desta vez, um que foi iniciado pelos próprios EUA", disse o diplomata.

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