Quem foram os principais aliados da URSS durante a Guerra Fria?


25 de maio de 2020 Russia Beyond

Quem foram os principais aliados da URSS durante a Guerra Fria?

A União Soviética tinha parceiros comerciais em quase todos os continentes. Muito deles se tornaram aliados políticos dedicados.


Cuba na América Central

Quando a União Soviética foi criticada após a invasão na Tchecoslováquia em 1968, foi Cuba e o seu líder Fidel Castro que apoiaram publicamente o país. Castro denunciou a Primavera de Praga e apelou à “luta contra agentes e espiões pró-ianques”. Anos depois dessa demonstração de apoio, Cuba continuou sendo um dos aliados mais próximos da URSS na época da Guerra Fria.


Logo após a Revolução Cubana, a inteligência soviética e os seus líderes tinham pouco entendimento sobre quem era Fidel Castro e seus objetivos; na época, políticos soviéticos não excluíam que Castro poderia receber dinheiro da CIA.

Líder cubano Fidel Castro apoiava publicamente a URSS. Esta foto foi tirada em 1969.
Líder cubano Fidel Castro apoiava publicamente a URSS. Esta foto foi tirada em 1969.


No entanto, com o início da Guerra Fria, devido à pressão econômica e militar dos EUA, Cuba se tornou um aliado muito próximo da URSS. A ilha foi a única fortaleza comunista no hemisfério ocidental, a 250 km da costa dos Estados Unidos.

Durante anos após a Revolução Cubana, a URSS sempre investiu na economia cubana, pagando, por exemplo, 10 vezes o preço mundial pela cana-de-açúcar cubana, a principal commodity de exportação da ilha caribenha.


Egito e Síria no Oriente Médio

A Guerra Fria entre os EUA e a URSS no Oriente Médio parecia uma partida de xadrez: cada parte procurava neutralizar a vantagem estratégica da outra nessa região importante, mas altamente explosiva. Na atmosfera de uma crescente tensão árabe-israelense, a União Soviética foi a primeira a escolher um lado.

Desde o final da década de 1940, a URSS enviava aos Estados árabes, particularmente ao Egito e à Síria, armamentos e especialistas militares. Os soviéticos tiveram um papel importante ao forçar o Reino Unido e a França a retirar suas tropas do Egito em 1956, quando o presidente Gamal Abdel Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez.

Líder soviético Nikita Khruschov (segundo à dir.) com o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser (dir.) durante visita ao Cairo, em maio de 1964.

Líder soviético Nikita Khruschov (segundo à dir.) com o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser (dir.) durante visita ao Cairo, em maio de 1964.


Embora a URSS tenha falhado em cultivar a ideologia comunista no Oriente Médio, usou com sucesso o fornecimento de armas e outros recursos em troca de influência política na região. Após a morte de Nasse, o Egito se afastou da União Soviética, mas a Síria permaneceu o principal aliado dos comunistas no Oriente Médio. 


Etiópia na África

Os historiados descrevem a atividade da URSS na África como sendo de “princípios máximos-mínimos”, ou seja, ganhos máximos com riscos mínimos.

Os países africanos, enfraquecidos no processo de descolonização, representavam uma ótima oportunidade de difundir a ideologia comunista e ganhar bases estratégicas em uma nova região importante.

A URSS apoiou vários movimentos de insurgência em todo o continente africano durante a Guerra Fria, inclusive em Angola e em Moçambique, mas seu aliado mais precioso no continente era a Etiópia.

Pôster de propaganda mostra etíopes segurando símbolos comunistas em frente à bandeira soviética, em Addis Abeba, capital da Etiópia, 1977.

Pôster de propaganda mostra etíopes segurando símbolos comunistas em frente à bandeira soviética, em Addis Abeba, capital da Etiópia, 1977.


Os líderes soviéticos começaram a prestar atenção a esse país no Chifre da África (Sudeste Africano) logo após a Revolução de 1917 na Rússia. A Etiópia foi considerado um local estratégico que permitia entrar no continente africano.

O auge da amizade entre a URSS e a Etiópia foi atingido em 1977, quando a Somália rompeu as relações com o regime soviético, expulsando conselheiros e lançando uma ofensiva contra a fronteira oriental da Etiópia.


Diante do cenário de conflito, Moscou enviou à Etiópia, por vias aérea e marítima, armamentos e equipamento militar, incluindo 80 aviões, 600 tanques e 300 veículos blindados de transporte de pessoal.

Com apoio de 17 mil soldados cubanos que chegaram da Angola, a ajuda militar soviética permitiu que a Etiópia brecasse a ofensiva. Para o bloco capitalista, esse incidente tornou-se uma demonstração viva da capacidade da União Soviética de agir no exterior e resultou na imagem da URSS como uma potência global.


Vietnã na Ásia

Durante a Guerra no Vietnã, que durou de 1955 a 1975, a URSS tentou minar o que via como uma invasão imperial americana na Indochina.

Tanque soviético em Desfile da Vitória, em Saigon, maio de 1975.
Tanque soviético em Desfile da Vitória, em Saigon, maio de 1975.


Sob a liderança do dedicado socialista e marxista Ho Chi Minh, os soviéticos forneceram ajuda militar maciça aos norte-vietnamitas, incluindo aviões, radares, artilharia, sistemas de defesa aérea, armas ligeiras, munições, alimentos e medicamentos. Os pilotos de caças norte-vietnamitas foram treinados na URSS.

Em troca, após a queda de Saigon, a União Soviética recebeu acesso a uma base naval na Baía de Cam Ranh, que se tornou a principal da Frota do Pacífico da URSS.


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