Operação Orstac: o plano dos EUA para conquistar Cuba em 1962

12 de junho de 2020 The National Interest

Operação Orstac: o plano dos EUA para conquistar Cuba em 1962

Atenção, povo de Cuba: obedeça às ordens do Exército dos EUA ou sofra as consequências.

É o que seria dito as cubanos caso os Estados Unidos invadissem a ilha durante a Crise dos Mísseis de  Cuba em 1962.

“A resistência às forças armadas dos Estados Unidos será duramente eliminada. Agressores serão tratados com severidade”, dizia uma minuta de proclamação que seria transmitida ao povo cubano, segundo documentos desclassificados obtidos pelo grupo do Arquivo de Segurança Nacional.

Seria lida a proclamação nº 1 da ocupação militar dos EUA:

“Para o povo de Cuba,

“Considerando que os atos agressivos e ilegais do regime de Castro contra a humanidade violaram o direito internacional e os princípios fundamentais de liberdade e independência das nações; e considerando que os Estados Unidos da América, a fim de honrar suas obrigações e garantir a si e às outras nações do mundo livre contra as ameaças geradas por essas ações agressivas do regime de Castro, foi solicitado entrar em conflito armado com as forças do regime de Castro; e que o povo dos Estados Unidos durante a ditadura de Castro nunca perdeu seu sentimento de calorosa amizade pelo povo de Cuba e que as forças armadas dos Estados Unidos protegerão o povo de Cuba no exercício pacífico de suas atividades legítimas, na medida em que exigências de guerra permitirão. . . . ”

Sob a linguagem suave de nós-viemos-em-paz, estavam as palavras duras de uma ocupação militar sem sentido. Os cubanos seriam instruídos a obedecer a todas as ordens das tropas americanas ou serem levados a um tribunal militar. "A resistência às forças armadas dos Estados Unidos será duramente eliminada", alertou a proclamação. "Agressores serão tratados com severidade."

Escolas e tribunais cubanos seriam fechados até novo aviso. No entanto, funcionários do governo cubano permaneceriam em seus postos.

“Quando o agressivo regime de Castro for completamente destruído, e forem tomadas providências para fornecer um governo democrático que atenda aos desejos e necessidades do povo de Cuba, as forças armadas dos Estados Unidos partirão e a tradicional amizade dos Estados Unidos e do governo de Cuba será assegurada”, concluia a proclamação com um floreio.

Palavras como “amizade” e “democrático” podem parecer vazias para os cubanos que emergiriam dos escombros de suas casas, especialmente porque Cuba tecnicamente não havia cometido um ato de guerra contra os Estados Unidos em 1962 (se é que a invasão da Baía dos Porcos 1961 poderia ser interpretado como um ato de guerra dos Estados Unidos contra Cuba).

Por outro lado, a proclamação dos EUA foi claramente direta, ainda que severa. Nenhum discurso  pretensioso sobre a reconstrução da nação. A mensagem era clara: o exército dos EUA controla Cuba. Obedeça ou enfrente as consequências. É de se perguntar se essa abordagem no Iraque em 2003 poderia ter evitado parte do caos e derramamento de sangue.

Os EUA subestimaram seriamente a dificuldade de invadir Cuba. Eles estimavam que havia dez mil tropas soviéticas em Cuba. O número real era de 43 mil, além de 270 mil soldados e milícias regulares cubanas.
Os EUA subestimaram seriamente a dificuldade de invadir Cuba. Eles estimavam que havia dez mil tropas soviéticas em Cuba. O número real era de 43 mil, além de 270 mil soldados e milícias regulares cubanas.

Certamente, antes que um exército invasor possa emitir uma proclamação de ocupação, ele realmente precisa conquistar o território em questão. A Operação Ortsac (Castro de trás para a frente), a invasão planejada de Cuba, ordenava o desembarques anfíbios e aéreos pelo 1/2 Batalhão de Fuzileiros Navais e pela 82ª e 101ª Divisões Aerotransportadas.

Como se vê, os EUA subestimaram seriamente a dificuldade de invadir Cuba. Os americanos estimaram que havia dez mil tropas soviéticas em Cuba. O número real era de quarenta e três mil, além de 270.000 soldados e milícias regulares cubanas.

Sinistramente, foi apenas em 1992 que os Estados Unidos descobriram o que mais a sua força de invasão iria enfrentar. "As autoridades soviéticas também revelaram o envio de armas nucleares de curto alcance a Havana e que os comandantes soviéticos de lá estavam autorizados a usá-las no caso de uma invasão americana", segundo o New York Times. Havia nove mísseis táticos de curto alcance com pequenas ogivas nucleares de seis a doze toneladas. Os mísseis não tinham alcance para chegar ao continente americano, mas poderiam ter devastado uma força de assalto.

Igualmente assustador, as autoridades soviéticas mais tarde admitiram que não haviam considerado exatamente como os Estados Unidos, que se sentiram provocados por mísseis nucleares lançados a 140 quilômetros da Flórida, poderiam ter respondido às armas atômicas lançadas sobre sua força de invasão.

Não há dúvida de que os Estados Unidos poderiam ter conquistado Cuba em 1962. Se restaria alguma coisa de Cuba - ou da América ou da Rússia - que não fosse escombros radioativos é outra questão.

Traduzido por Pacto de Varsóvia.

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