Alemanha não considera mais a ajuda dos EUA para defesa da Europa

Base militar norte-americana de Ramstein, Alemanha

Na semana passada, Berlim lamentou a retirada de 9.500 soldados dos EUA da Alemanha, após suposto fracasso de Berlim em dedicar uma parcela significativa do PIB à gastos com defesa.

A defesa da Europa pelos EUA não é mais algo que pode ser dado como certo, disse a chanceler alemã Angela Merkel nesta terça-feira (14).

"É preciso dizer que 30 anos após a reunificação da Alemanha, 30 anos após o fim da Guerra Fria, o mundo está se posicionando de uma nova maneira. O que tínhamos como certo, por exemplo, que os Estados Unidos defenderiam a União Européia, não é mais evidente, está mudando ", afirmou Merkel durante uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro da Baviera, Markus Soeder.

A líder alemã defendeu uma Europa unida e que compartilha os mesmos valores para "se afirmar em um mundo de outros grandes atores, como China, EUA, Rússia". Ela destacou que a Europa deve assegurar a própria defesa para viver em prosperidade.

"Precisamos encontrar a resposta certa para esse problema, e essa resposta não pode se basear na ação de cada estado-nação individualmente. Antes, para nós, essas respostas estão em alianças multilaterais, e a União Europeia é esse tipo de aliança multilateral", acrescentou.

Merkel realizou uma viagem surpresa à Baviera nesta terça-feira (14) para se encontrar com Soeder, após de quatro meses de isolamento em meio à crise do coronavírus.

Os comentários da chanceler sobre a dependência excessiva dos EUA seguem as observações que ela fez no mês passado sobre a necessidade de refletir "profundamente" sobre um mundo, no qual os Estados Unidos não se consideram mais uma potência mundial. Merkel criticou a decisão do presidente Donald Trump de retirar milhares de tropas da Alemanha. A política destacou que a presença das tropas norte-americanas na Europa também protege, além da Alemanha e das nações europeias da OTAN, "os interesses dos Estados Unidos".

As declarações de Merkel foram uma resposta aos comentários de autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Trump, que acusam Berlim de negligenciar seus pagamentos à OTAN, e afirmam que Alemanha deve bilhões de dólares à aliança.

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