Por que Alemanha estaria reorientando sua política em relação à Rússia?

A chanceler alemã Angela Merkel conversa com o presidente russo Vladimir Putin ao chegar para a cúpula da Líbia em Berlim, Alemanha, 19 de janeiro de 2020

De acordo com o acadêmico Vladimir Olenchenko, a Alemanha ressente sua "posição subordinada" ante os EUA, e que já se viram sinais desse afastamento durante a presidência de Barack Obama.

A Alemanha foi forçada a reorientar sua política externa em relação à Rússia após uma série de contradições com os EUA, afirmou Vladimir Olenchenko, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisa de Economia Mundial e Relações Internacionais E. M. Primakov da Academia de Ciências da Rússia, em uma conversa com o canal RT.

Segundo Olenchenko, Washington não tolerará uma situação em que uma Alemanha independente seja a líder da Europa Ocidental.

"Surgiu todo um emaranhado de contradições entre os EUA e a Alemanha, desde rivalidade econômica em várias indústrias a questões como a presença de soldados americanos em solo alemão, ou a competição pelo domínio no subcontinente europeu."

"E, é claro, Washington gostaria que Berlim tivesse uma posição subordinada. Nesta situação, a Alemanha é obrigada a reorientar seu rumo de política externa, apostando na Rússia como parceira estratégica", sublinhou o especialista.

Olenchenko acrescentou que, no mês passado, a tendência de deterioração das relações entre Berlim e Washington se tornou ainda mais evidente, e as autoridades alemãs são mais propensas a declarar a necessidade de seguir uma política independente, sem olhar para trás para os EUA.

Ao mesmo tempo, relembra Olenchenko, foram observados sinais de deterioração das relações americano-alemãs também durante a presidência de Barack Obama, e que, com Donald Trump no poder, a situação só "piorou".

Anteriormente, o embaixador alemão em Moscou, Gesa Andreas von Geir, afirmou que durante a presidência alemã do Conselho da União Europeia, Berlim buscará uma cooperação mais estreita com a Rússia.

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